Atividade Física e o Cérebro

 

por Ricardo Arida

Você sabia que o exercício físico não é somente bom para a saúde física, mas também pode ajudar seu cérebro a trabalhar melhor? Muitos praticantes de atividades físicas ou esportivas relatam que depois do exercício, eles sentem-se capazes de pensar melhor. Por outro lado, muitas pessoas não praticantes de exercícios físicos não concordam com esse fato, porque depois da atividade física eles se sentem esgotados e incapazes de realizar suas atividades diárias normalmente. De fato os dois grupos estão certos.

 "O exercício físico aeróbio de intensidade moderada provoca a liberação de hormônios e neurotransmissores (substâncias químicas presentes no cérebro) envolvidos em vários processos cognitivos, como a memória e aprendizagem”

 

Existem várias evidências científicas mostrando que o exercício físico pode melhorar a capacidade de uma pessoa em raciocinar melhor. Mas também existem evidências que mostram que a fadiga e o excesso de treinamento físico não provocam esse efeito positivo. O exercício realizado de forma adequada melhora o estado de humor, o bem-estar, a ansiedade e depressão, assim como ajuda o indivíduo a lidar melhor com o estresse.

 Um estudo na Universidade de Georgia – USA, revisou publicações dos últimos 30 anos sobre os efeitos do exercício no cérebro e demonstrou que o exercício físico fornece muitos benefícios para a saúde mental, isto é, o exercício afeta de forma positiva o desempenho de várias tarefas mentais.

 Portanto, qual tipo de exercício poderá melhorar esse desempenho? Diferentes testes psicológicos e mentais mostraram que o exercício aeróbio apresenta melhores resultados quanto à capacidade de resolver problemas e tomar decisões mais rápidas e precisas. O exercício físico aeróbio de intensidade moderada provoca a liberação de hormônios e neurotransmissores (substâncias químicas presentes no cérebro) envolvidos em vários processos cognitivos, como a memória e aprendizagem.

 No entanto, apesar desses estudos serem muito estimulantes e promissores, ainda existem muitas questões a serem respondidas. Por exemplo, não se sabe ao certo qual seria a duração dos benefícios do exercício após a interrupção de um programa de treinamento físico ou mesmo qual seria a quantidade de exercício necessária para recuperar os benefícios adquiridos.

 De toda forma, o exercício físico adequado pode aprimorar não somente os aspectos relacionados ao desempenho mental, assim como reduzir os riscos do déficit da cognição relacionada à idade.

 

"Brain Derived Neurotrophic Factor (BDNF) = proteína fabricada pelos neurônios - exerce vários efeitos no sistema nervoso central, como crescimento, diferenciação e reparo dos próprios neurônios"

"Apesar de várias pesquisas mostrarem que o BDNF aumenta depois do exercício, este estudo mostrou que não somente o exercício físico, mas também outros fatores como hábitos saudáveis podem induzir um aumento de BDNF"

Muitos estudos têm mostrado efeitos positivos do exercício físico na função cerebral. Estudos clínicos têm mostrado que o exercício físico pode proporcionar benefícios na saúde geral, função cognitiva e memória, particularmente durante o envelhecimento.

Fatores de crescimento, como as “neurotrofinas” são moduladores da plasticidade do sistema nervoso. Entre esses fatores de crescimento, o Brain Derived Neurotrophic Factor (BDNF = proteína fabricada pelos neurônios), ou seja, o fator de crescimento derivado do cérebro, exerce vários efeitos no sistema nervoso central, como crescimento, diferenciação e reparo dos neurônios. Dos vários fatores de crescimento, o BDNF é produzido durante toda a vida para preservar as funções essenciais como o aprendizado e memória. Um nível elevado de BDNF poderia estar relacionado com uma saúde cerebral melhor. Por outro lado uma diminuição do BDNF tem sido relacionada com diferentes alterações do sistema nervoso como a depressão, esquizofrenia, doença de Parkinson, etc.

Atividade física aumenta nível de BDNF

O BDNF normalmente é fabricado pelos neurônios, mas seus níveis já sobem sob efeito de uma única sessão de exercício. Estudos prévios têm mostrado que ratos com acesso à **atividade voluntária em roda, apresentam um aumento de BNDF em várias regiões do sistema nervoso como no hipocampo e córtex cerebral. Recentemente, estudos realizados em humanos também mostraram um aumento do BDNF após o exercício físico.

Um estilo de vida saudável pode afetar a saúde em geral. Entretanto, como isso pode estar associado com os níveis sanguíneos de BDNF ainda não está bem definido. Neste sentido, um grupo de pesquisadores na China* investigou a associação entre os níveis sanguíneos de BDNF e os vários fatores de estilo de vida relacionados à saúde. Nesta pesquisa, 85 voluntários foram estudados, utilizando um questionário com perguntas sobre o estilo de vida dessas pessoas, como hábitos de assistir televisão, fumar, consumo de álcool, freqüência de exercício físico, ingestão de alimentos gordurosos, de frutas e vegetais. Os resultados mostraram que a freqüência de ingestão de frutas, exercício físico e assistir televisão estavam associados com maiores níveis de BDNF.

É importante ressaltar que apesar de várias pesquisas mostrarem que o BDNF aumenta depois do exercício, este estudo mostrou que não somente o exercício físico, mas também outros fatores como hábitos saudáveis podem induzir um aumento de BDNF. Isto é um reforço para mantermos hábitos saudáveis e consequentemente termos uma melhor saúde física e mental.

Ka Lok Chana, Kai Yu Tonga, Shea Ping Yipa. Relationship of serum brain-derived neurotrophic factor (BDNF) and health-related lifestyle in healthy human subjects. Neuroscience Letters 447 (2008) 124–128.

*Plasticidade seria mudança ou alteração? Plasticidade pode ser os dois, quando um neurônio se regenera podemos dizer que ocorreu uma regeneração, quando por algum motivo (exercício) o neurônio se modifica, podemos dizer que é um mudança.

**Atividade voluntária é a atividade em roda onde o rato corre voluntariamente, ele entra e sai da roda quando ele quer.

 

Benefícios da Atividade Física - Nos efeitos sobre o organismo

Efeitos da atividade física no organismo humano:

Cérebro:
Proporciona sensação de bem estar.
Melhora a auto-estima.
Reduz sintomas depressivos e ansiosos.
Melhora o controle do apetite.

Como funciona:
A atividade física estimula a liberação de substâncias que "melhoram" o funcionamento do sistema nervoso central.

Nariz e Garganta:
Reduz a ocorrências de gripes, resfriados e infecções respiratórias em geral.

Como funciona:
A atividade física estimula a produção de alguns aminoácidos
(componentes das proteínas) que melhoram a ação protetora
do sistema imunológico.

Pulmões:
Melhora a capacidade pulmonar.
Aumenta a capacidade de consumo de oxigênio.

Como funciona:
A atividade física aumenta a rede de pequenos vasos que irrigam os alvéolos pulmonares (estruturas de troca de gases), melhorando o aproveitamento de oxigênio pelo pulmão. Desse modo, a respiração fica mais eficiente.

Coração:
Melhora o funcionamento do coração (para um mesmo esforço, o trabalho cardíaco passa a ser menor).
Aumenta a resistência aos esforços físicos e ao estresse
Reduz doenças cardíacas (angina, infarto, arritmias, insuficiência etc).
Aumenta a sobrevida até mesmo nas pessoas que já tiveram um infarto.

Como funciona:
Estimula uma melhor vascularização (aumento da irrigação de sangue para o próprio coração), o que garante melhor funcionamento do órgão. Reduz fatores de risco para artérias coronárias - como pressão arterial e colesterol.

Barriga:
Facilita a perda de peso ou a manutenção do peso desejado
Combate a obesidade.

Como funciona:
Reduz a gordura e aumenta a massa muscular.
O músculo é um tecido muito ativo, que ajuda no maior consumo de calorias ao longo do dia.

Pâncreas:
Facilita o controle do diabetes.

Como funciona:
Diminui a resistência à ação da insulina ( hormônio que facilita a entrada de glicose nas células), favorecendo um melhor controle dos níveis de açúcar no sangue.

Pernas:
Diminui edemas, varizes e o risco de trombose.

Como funciona:
Aumenta a pressão dos músculos sobre as veias das pernas. Funciona como uma espécie de bomba, que ajuda o sangue a vencer a força da gravidade e voltar mais facilmente para o coração.

Vasos Sangüíneos:
Reduz obstruções nas paredes dos vasos, diminuindo problemas como aterosclerose (placas de gordura), " derrames cerebrais" e infartos.

Como funciona:
Reduz as taxas de colesterol total e eleva o HDL (colesterol "bom"), que protege contra a formação de placas de gordura nas artérias. Combate a hipertensão, reduzindo os níveis de pressão arterial.

Músculos:
Fortalece a massa muscular.
Aumenta a flexibilidade.

Como funciona:
A atividade estimula o desenvolvimento das fibras musculares que compõem os diversos músculos do corpo.

Ossos:
Reduz os riscos de osteoporose (enfraquecimento dos ossos) e fraturas na velhice

Como funciona:
Estimula a proliferação dos chamados osteoblastos (células que contribuem para o crescimento do tecido ósseo)

  

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